Vim aos Estados Unidos para acompanhar o Farm Progress Show e aproveitei a viagem para conhecer mais de perto outros aspectos do agro americano.
O que escolhi trazer para esta coluna, porém, não veio das lavouras nem das máquinas.
Veio das escolas.
É nelas que atua a National FFA Organization, uma organização estudantil nacional ligada à educação agrícola nos Estados Unidos. Presente em escolas de todo o país, ela cria oportunidades de formação e aproxima os estudantes das diferentes possibilidades profissionais ligadas ao agro.
A experiência americana nos faz pensar sobre a presença das novas gerações no agro brasileiro.
Nosso retrato nacional mais abrangente vem do Censo Agropecuário de 2017, último levantamento disponível desse porte! Acredita? Na comparação com 2006, a participação de produtores com menos de 35 anos caiu de 16,9% para 11,5%, enquanto a daqueles com 65 anos ou mais aumentou de 17,5% para 21,4%.
Mas o Brasil também tem iniciativas importantes nessa frente. O Agrinho, por exemplo, do Senar-PR, leva temas ligados ao campo e à relação entre meio rural e urbano para dentro das escolas. O Jovem Agricultor do Futuro, do Senar-SP, trabalha com adolescentes de 14 a 17 anos, combinando formação técnica, gestão e empreendedorismo.
Então, o que há de diferente no que vi por aqui nos Estados Unidos que podemos capturar?
Quatro características aparecem juntas.
Precocidade: O contato com o agro pode começar ainda na educação básica, antes de a escolha profissional estar definida.
Capilaridade: A FFA reúne cerca de 1,05 milhão de estudantes em mais de 9,5 mil núcleos distribuídos por todos os estados americanos.
Integração: A organização faz parte da educação agrícola e conecta sala de aula, experiências práticas e desenvolvimento de liderança.
Participação responsável do setor. Empresas e organizações também ajudam a sustentar o modelo. Desde 1944, parceiros corporativos já destinaram mais de US$ 200 milhões à fundação que apoia a FFA.
Num país tão diverso quanto o Brasil, nenhum playbook estrangeiro cabe por inteiro. E nem precisa. Temos iniciativas relevantes, instituições fortes e um agro capaz de mobilizar recursos e conhecimento. O que a experiência americana acrescenta é uma referência do que essas diferentes frentes podem alcançar quando avançam juntas e em escala.
O Brasil tem base para encontrar o seu próprio caminho. Quando pensamos na próxima safra do agro brasileiro, o Ponto de Colheita são nossos jovens.
