Hoje, profissionais de diferentes idades dividem o mesmo ambiente de trabalho. Boomers, X, Millenials e Z foram formados em momentos distintos, que podem influenciar expectativas e formas de trabalhar.
Na tentativa de descrever essas diferenças, alguns retratos se tornaram recorrentes. Os mais jovens aparecem ligados à fluência digital, ao dinamismo e à busca por crescimento. Aos mais experientes, são atribuídos repertório, maturidade e maior capacidade para lidar com situações difíceis.
Mas o quanto essas características são estereótipos?
Em julho, uma publicação destacada pela Harvard T.H. Chan School of Public Health trouxe uma abordagem interessante já no título: Beyond the Generations. A proposta é ampliar a discussão sobre uma força de trabalho diversa em idade para além das classificações geracionais.
Um estudo recente da Ipsos pesquisou 3,5 milhões de pessoas entre 16 e mais de 66 anos. Os resultados indicam que características semelhantes podem estar relacionadas ao momento da vida profissional que compartilham, e não necessariamente à geração da qual fazem parte. Pessoas da mesma idade podem estar em fases muito distintas da carreira, enquanto outras separadas por décadas podem compartilhar expectativas e necessidades semelhantes.
As diferenças entre gerações ajudam a compreender as referências que cercaram a formação de um profissional, mas não permitem concluir como aquela pessoa pensa ou trabalha. Esse recorte oferece contexto, não um diagnóstico sobre o indivíduo.
Na liderança, o risco está em transformar essas referências em critérios para avaliar uma pessoa. Quando traços associados a uma geração ganham peso demais, podem influenciar o espaço que um profissional recebe, o grau de autonomia que conquista ou aquilo que se espera do seu desenvolvimento.
Entender melhor quem está do outro lado permite ser mais preciso nessas decisões: dar um feedback mais adequado, identificar o que aquela pessoa precisa desenvolver e delegar de acordo com o que está preparada para assumir.
Rótulos só são adequados em embalagens. Não em pessoas. Conhecer as gerações continua sendo útil. Conhecer as pessoas continua sendo indispensável
