Nas últimas semanas participei de algumas reuniões de conselho. Saí com insights que valem ser compartilhados.
Insight #1
A primeira delas começa com uma crença comum, porém incompleta. Existe a ideia de que conhecer profundamente um setor torna alguém um bom conselheiro daquele setor. O raciocínio parece lógico. Mas o que uma empresa precisa de um board member é disciplina e isenção. E quanto mais fundo alguém conhece um mercado, mais difícil é enxergar o que aquele mercado ainda não viu. O viés do especialista pode ser tão limitante quanto a falta de conhecimento. O conselheiro precisa enxergar além. E isso exige estudo constante e disciplina
Insight #2
Enxergar além exige entender que nenhum conselho é igual ao outro. Mesmo com uma escalação semelhante, o que define a dinâmica de uma sala é a maturidade daquela sociedade, o momento daquele negócio, a história daquelas pessoas. Contexto não é detalhe. É o ponto de partida.
Nas empresas familiares, isso fica ainda mais evidente. As principais barreiras que travam o funcionamento de um conselho raramente estão dentro da sala. Estão do lado de fora. São questões familiares mal resolvidas que ocupam a pauta sem serem nomeadas. O conselho pode estar bem estruturado no papel e não andar na prática, e a razão quase nunca está no modelo de governança escolhido.
Insight #3
É aí que os atalhos aparecem. E atalhos, nesses casos, custam caro. Eles funcionam por um tempo. Dão a sensação de avanço. Mas formalizações e reestruturações feitas pela metade apenas adiam o problema. Há conversas que precisam acontecer antes que qualquer estrutura funcione de verdade. Não existe conselho sólido construído sobre bases que ninguém quis enfrentar.
Insight #4
Por fim, um ponto que merece mais atenção do que costuma receber: a diferença entre conselhos de empresas familiares e empresas investidas por fundos é real. Os objetivos são distintos, os tempos são distintos, as tensões são distintas. Um conselheiro que transita entre esses dois mundos precisa reconhecer essa diferença com clareza, porque a mesma lógica aplicada em contextos diferentes produz resultados diferentes.
Um bom conselho não se mede pelo modelo que adota. Se mede pela capacidade de ler o que está na sala (e o que está fora dela).
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